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sobre o projeto · ficha técnica e plano de trabalho

O projeto Cartografias da Pesquisa em Design no Brasil

Redes, diversidade e estratégias para o fortalecimento e expansão da área. Projeto de pós-doutorado realizado na UEMG em parceria com a UnB.

▸ projeto de pesquisa

Cartografias da Pesquisa em Design no Brasil

Este projeto estuda como a pesquisa em design no Brasil está organizada, quão diversa ela é e como pode crescer. O estudo é estratégico e prospectivo, isto é, procura apoiar decisões futuras sobre a área. Para isso, o projeto reúne dados sobre pesquisadores, programas, grupos, linhas e projetos de pesquisa. Esses dados mostram onde a pesquisa em design acontece no país, como os pesquisadores se relacionam e como a área contribui para os desafios atuais do país.

O objetivo é entender as diferenças dentro da área e encontrar oportunidades de colaboração, de inovação e de fortalecimento da pós-graduação em design. O método combina três técnicas: análise de documentos, mineração de dados (a busca automática de padrões em grandes conjuntos de dados) e visualização de redes. Com elas, a área pode ser descrita por mais de um caminho. Os resultados são interpretados junto com uma leitura crítica e qualitativa da história recente da área. O resultado esperado é um conjunto de gráficos, mapas e textos que mostrem o papel estratégico do design na ciência e na sociedade brasileira atual.

Os dados cobrem os anos de 2021 a 2024. Eles vêm da coleta da CAPES, a agência federal que avalia a pós-graduação, feita na Plataforma Sucupira, em que os programas informam seus dados. Também vêm do Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES (BTD), com as teses e dissertações defendidas. O recorte são os programas de design da Área 29 (Arquitetura, Urbanismo e Design): os 29 programas de pós-graduação da lista do ano-base de 2024, 27 deles em funcionamento e 2 em desativação. O ano-base é o ano a que os dados informados se referem. A pesquisa sobre design feita em programas de outras áreas, ou por pesquisadores sem vínculo com um programa de pós-graduação, fica fora do recorte. Essa pesquisa existe, mas não aparece nas fontes usadas.

Proponente
Prof. Dr. Tiago Barros Pontes e Silva (UnB)
Supervisão
Prof.ª Dr.ª Rita Aparecida da Conceição Ribeiro
Instituições
UEMG (PPG Design) · UnB (PPG Design)
Cobertura dos dados
2021 a 2024 · CAPES Sucupira e BTD
Recorte
Área 29 · Design (29 programas, 27 em funcionamento no ano-base 2024)
Fora do recorte
Pesquisa sobre design em programas de outras áreas e pesquisadores não vinculados à pós-graduação
▸ 00 perspectiva cartográfica

Cartografia como método de investigação

Neste projeto, a cartografia vai além de mapas e números fixos sobre a pesquisa em Design no Brasil. Além de descrever a pós-graduação, o projeto acompanha como a área se organiza, muda e cresce com o tempo. Isso inclui as relações entre pessoas e instituições, as regras das instituições e as formas de produzir conhecimento.

O projeto vê a área de Design como um sistema complexo, social e técnico ao mesmo tempo. Esse sistema é formado por programas, pesquisadores, regras de avaliação, redes de colaboração, produção científica, estrutura das instituições, diferenças entre regiões e várias formas de mediação entre essas partes. A cartografia serve para mostrar as relações entre essas partes: onde elas se concentram, o que circula entre elas, o que se aproxima e onde há tensão.

A plataforma reúne bases de dados da pós-graduação brasileira, análise de redes, visualização de informações e o estudo da produção acadêmica ao longo de vários anos. Com isso, ela oferece um panorama da área em números. Ela também mostra as relações que explicam como a área se forma, se consolida, se diversifica e cresce.

O projeto não trata a pesquisa em Design como uma área fixa, com limites definidos de antemão. A área muda o tempo todo, por negociação, pela circulação de pessoas e ideias e por transformações em escalas e instituições diferentes. Por isso, cada gráfico, ligação ou agrupamento mostrado na plataforma é uma interpretação possível de relações que continuam mudando, e não uma representação definitiva.

Assim, a plataforma serve para observar, refletir e explorar. Ela permite acompanhar o surgimento de redes acadêmicas, as trajetórias de colaboração, as aproximações entre temas, a distribuição entre regiões e o desenvolvimento da pós-graduação em Design no Brasil.

▸ 01 resumo

Síntese do projeto

O projeto propõe um estudo nacional sobre como a pesquisa em design no Brasil está organizada, quão diversa ela é e como pode crescer. O estudo procura entender a estrutura, as ligações e as trajetórias das redes de pesquisa que formam a área. O design brasileiro cresceu muito nas últimas décadas. Mesmo assim, a área continua dividida na forma como é representada nas instituições e não tem instrumentos sistemáticos para se mapear e se analisar.

O projeto pretende construir uma base única de informações sobre pesquisadores, programas, grupos, linhas e projetos. Essa base deve mostrar onde a pesquisa em design acontece no país, como os pesquisadores se relacionam e como a área contribui para os desafios atuais do país. O método combina análise de documentos, mineração de dados e visualização de redes, junto com uma leitura crítica e qualitativa da história recente da área.

Design brasileiroRedes de pesquisaMapeamento científicoPós-graduaçãoPolíticas de C&TDiversidade epistêmica
▸ 02 justificativa

Por que mapear o design brasileiro agora

Não existe um panorama atualizado da pesquisa em design no país. Sem ele, grupos e programas têm mais dificuldade de se articular, e a área fica menos visível para o público e para quem decide as políticas públicas. Hoje, o design é chamado a contribuir com problemas complexos, como a sustentabilidade, a transformação digital, a inovação social e a reconstrução de políticas públicas. Por isso, é preciso descrever quem forma a comunidade de pesquisa em design no Brasil, onde estão suas forças e fragilidades e como essa rede se organiza por dentro e se liga a outras áreas do conhecimento.

A iniciativa é estratégica porque produz conhecimento sobre como a própria área científica se organiza. Esse conhecimento ajuda a formar uma base permanente de informações sobre o design brasileiro. Ele também apoia decisões sobre financiamento, criação de programas, identificação de lacunas e proposta de redes de colaboração.

▸ 03 hipóteses de trabalho

Cinco hipóteses que orientam a investigação

  1. 01
    O campo cresceu e se diversificou
    A variedade de temas e de métodos aparece nas teses, nas linhas de pesquisa e na história dos programas.
  2. 02
    A expansão foi geograficamente desigual
    A distribuição dos programas de pós-graduação (PPGs) pelo país pede políticas de equilíbrio entre as regiões e formas de descentralização.
  3. 03
    A avaliação da CAPES organiza a área
    A área precisa produzir dados próprios para dialogar com as agências de fomento e com a comunidade científica.
  4. 04
    Os resultados serão estratégicos para a gestão
    O mapeamento apoia decisões de programas, docentes e gestores públicos sobre financiamento, cooperação e expansão.
  5. 05
    A pesquisa brasileira tem identidade própria
    Existe um modo brasileiro de produzir conhecimento em design: ligado ao contexto do país, plural e com intenção política. Esse modo precisa ficar mais visível no Brasil e no exterior.
▸ 04 objetivos

Objetivo geral e objetivos específicos

▸ objetivo geral

Mapear, descrever e analisar a rede nacional de pesquisa em design no Brasil. O objetivo é entender sua diversidade, sua distribuição pelo país e pelas instituições, suas ligações internas e externas e as possibilidades de fortalecê-la e expandi-la. O projeto entende o design como um conjunto de práticas científicas e culturais que dependem umas das outras.

▸ objetivos específicos
  • a)Organizar os dados sobre programas, grupos, linhas e pesquisadores da área de design;
  • b)Analisar a estrutura e a dinâmica das relações entre eles, mostrando as redes de colaboração e a distribuição pelo país;
  • c)Examinar a diversidade de temas e de formas de produzir conhecimento na área, identificando tendências novas e lacunas;
  • d)Produzir gráficos, mapas e textos de análise sobre a rede de pesquisa em design no Brasil;
  • e)Propor estratégias para fortalecer e ampliar a área com base nos resultados do mapeamento.
▸ 05 metodologia

Quatro etapas, em doze meses, que dependem umas das outras

O método combina abordagens qualitativas e quantitativas e usa ferramentas digitais de mapeamento e de análise de redes. O trabalho tem três frentes: análise de documentos, mineração e visualização de dados, e interpretação qualitativa.

▸ etapa 1
meses 1 a 4
Levantamento e coleta

Identificação dos programas, docentes, linhas e projetos ligados ao design. As fontes são a Sucupira, o BTD, os diretórios de grupos de pesquisa, os currículos e as bases bibliográficas, além de repositórios institucionais e anais de eventos.

▸ etapa 2
meses 3 a 6
Integração e mineração

Organização dos dados numa base relacional, em que autores, instituições e temas ficam ligados entre si. Mineração de texto para encontrar padrões de coautoria, temas próximos e redes de colaboração.

▸ etapa 3
meses 6 a 10
Análise de redes e visualização

Análise dos agrupamentos e da posição de cada participante na rede, do centro à periferia. Transformação dos dados numéricos em gráficos e mapas fáceis de entender e de interpretar.

▸ etapa 4
meses 9 a 12
Interpretação crítica e devolutiva

Ligação dos gráficos às análises qualitativas. Os pesquisadores responsáveis já fizeram as entrevistas com pesquisadores e coordenadores, o mapeamento com os coordenadores dos programas e o seminário com o Fórum Nacional dos Coordenadores da Área 29. Falta a redação do relatório final.

Nota sobre o método: o pesquisador responsável conduziu as análises desta plataforma. Sob essa condução, um modelo de IA (Claude), da empresa Anthropic, escreveu o código da plataforma, a maior parte dos programas que preparam os dados da CAPES Sucupira e do BTD e os textos que trazem o aviso de IA. As análises são descritivas: elas resumem os dados em contagens, médias, medianas, porcentagens e correlações, sem teste estatístico. O pesquisador responsável apontou erros que encontrou nas páginas, e o modelo os corrigiu.

▸ 06 cronograma

Distribuição das etapas em doze meses

Cronograma de desenvolvimento da plataforma
EtapaM1M2M3M4M5M6M7M8M9M10M11M12
1 · Levantamento e coleta
2 · Integração e mineração
3 · Análise de redes e visualização
4 · Interpretação e devolutiva
▸ 07 produtos

Resultados esperados e produtos pretendidos

  1. Relatório Nacional de Pesquisa em Design (2027): diagnóstico da distribuição da área por região, por instituição e por tema.
  2. Plataforma interativa “Cartografia da Pesquisa em Design no Brasil”: dados, mapas e gráficos de acesso público (esta plataforma é o protótipo dela).
  3. Artigos científicos e apresentações em eventos: enviados a revistas científicas do Brasil e do exterior.
  4. Relatórios técnicos e notas para políticas públicas (policy briefs): dirigidos à CAPES e às instituições de ensino superior (IES), com recomendações para as políticas de financiamento e de expansão.
  5. Seminário de apresentação dos resultados: feito junto ao Fórum Nacional dos Coordenadores da Área 29.

O resultado mais importante que o projeto espera, porém, é que os pesquisadores da área construam juntos um senso de pertencimento e de identidade. Assim, a pesquisa em design no Brasil pode se reconhecer como uma rede de pessoas ligadas entre si.

▸ 08 impacto

Potencial de impacto

Científico: fortalece a área como campo de conhecimento, com instrumentos para analisar a própria estrutura e com dados para apoiar o financiamento, a avaliação dos programas e as estratégias de internacionalização.

Inovação: usa o design como ferramenta para pesquisar a própria área do design, unindo visualização de dados e reflexão crítica.

Social e educacional: identifica lacunas por região e por tema, para orientar ações de fortalecimento da pós-graduação nas regiões ainda pouco representadas, e divulga os resultados ao público.

Socioeconômico: amplia o papel do design como mediador entre o conhecimento e a sociedade, e reforça sua importância nas políticas de desenvolvimento sustentável, inovação e inclusão.

▸ 09 cooperação

Perspectivas de colaboração interinstitucional

O projeto é feito em colaboração. Os pesquisadores responsáveis mapearam as redes de pesquisa em diálogo com coordenadores de programas de diferentes regiões do país. Esse diálogo incluiu a interpretação e a validação dos resultados.

No plano internacional, o projeto permite trocar métodos com iniciativas parecidas em outros países. Isso abre a possibilidade de cooperação futura com universidades europeias e latino-americanas interessadas nas redes de pesquisa em design do Sul Global, isto é, dos países em desenvolvimento da América Latina, da África e da Ásia.

▸ 10 fontes

Fontes e cobertura dos dados

  • CAPES Sucupira (2021 a 2024): programas, cursos, docentes, discentes, produção bibliográfica, técnica e artística, financiadores e linhas de pesquisa.
  • BTD (Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES): teses e dissertações defendidas nos programas de design da Área 29 (Arquitetura, Urbanismo e Design).
  • Conceito CAPES 2026: resultado final da Avaliação Quadrienal CAPES 2026, publicado na Plataforma Sucupira. Essa avaliação se refere ao quadriênio 2021 a 2024, o período de quatro anos que a CAPES avalia de uma vez. Nos painéis de programas, o conceito novo aparece ao lado do conceito anterior, de 2024.
  • Fichas de Avaliação e Propostas (Avaliação Quadrienal 2021 a 2024): pareceres oficiais das comissões de avaliação (conceitos por item e por quesito, pesos, notas, recomendações e texto do parecer) e Propostas dos programas (autoavaliação e texto completo de cada item). Esses documentos foram coletados na versão antiga da Sucupira. Eles são a base das análises qualitativas e das sínteses interpretativas, e cobrem 23 dos 29 programas, os que tiveram relatório no quadriênio.

Os totais de produção, de docentes e de discentes se referem ao quadriênio 2021 a 2024, o período em que foram coletados os dados usados na avaliação.